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Trabalho norteará ações de promoção do turismo no exterior

por — publicado 13/06/2018 00h00,
última modificação 13/06/2018 15h24

Foto por: Pablo Peixoto/Embratur

Rafael Felismino, da Embratur, durante apresentação da FGV

Rafael Felismino, da Embratur, durante apresentação da FGV

Estudo da FGV, encomendado pela Embratur, auxilia no planejamento de estratégias inovadoras para promover o Brasil e atrair mais turistas internacionais.

A Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) atravessa uma fase de transformação institucional com objetivo de se reposicionar no mercado internacional e buscar estratégias inovadoras de promoção para tornar o Brasil um destino cada vez competitivo. Para conhecer a fundo a dinâmica atual de intensa competição neste cenário, o Instituto encomendou um complexo trabalho de pesquisa e estudos à FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre o panorama da promoção internacional do turismo no mundo. Nesta segunda-feira (11), pesquisadores da fundação se reuniram com o corpo diretivo e técnico na sede da autarquia, em Brasília, para apresentar a primeira de oito entregas do estudo.

A análise inicial atesta a necessidade da Embratur se modernizar e seguir exemplos de organizações de sucesso que atuam na promoção internacional com modelos híbridos e mais flexíveis - os DMOs (Destination Marketing Organizations), como a Brand USA, dos Estados Unidos. Esses órgãos de turismo atuam de forma moderna e podem contar com fontes alternativas de recursos. O estudo também analisa o trabalho dos ITOs (International Tourism Offices) espalhados pelo mundo e que desempenham a mesma função dos EBTs (Escritórios Brasileiros de Turismo) da Embratur no exterior.

Um dos objetivos da pesquisa é servir como base para a criação de um plano de ação para o modelo de operação da Nova Embratur, com a possível mudança no modelo de gestão do Instituto. Tramita em caráter de urgência, na Câmara dos Deputados, o PL 2724/2015, que transforma a Embratur em agência, nos moldes da Apex e Sebrae. A mudança pode potencializar os investimentos em promoção dos destinos brasileiros no exterior. No modelo atual, a Embratur é uma autarquia vinculada ao Ministério do Turismo, tendo como única fonte de recursos o orçamento da União.

Segundo a presidente da Embratur, Teté Bezerra, as mudanças são salutares e podem resultar em métodos inovadores de promoção internacional em um mercado cada vez mais competitivo. “Nosso objetivo é modernizar a atuação da Embratur, independentemente da aprovação, em curto, médio ou longo prazo da mudança no modelo de gestão do Instituto. Nossos concorrentes da América do Sul, por exemplo, têm planejado e investido mais em promoção e já se aproximam do Brasil no número de turistas internacionais”, ressalta.

Teté Bezerra considera importante que a promoção do Brasil no exterior seja intensificada em países limítrofes. Segundo a OMT (Organização Mundial do Turismo), cerca de 90% do turismo internacional é realizado entre países próximos ou que compartilham limites geográficos. A presidente cita o Chile como exemplo.

“Quase 4,5 milhões de chilenos viajam para fora de suas fronteiras por ano e cerca de 300 mil vem ao Brasil, o que mostra que temos potencial de crescimento nos países vizinhos. Precisamos inovar e investir em novos mercados e não apenas nos tradicionais e maiores emissores. É importante se aproximar destes mercados, buscar novas ferramentas de promoção e mais investimentos. Além disso, incrementar segmentos robustos como o Turismo de Eventos”, pondera.

CRESCIMENTO

A metodologia utilizada na fase inicial do estudo elencou quatro objetos de pesquisa centrais: resultados do turismo internacional; tendências de consumo no turismo; mercados prioritários e tendências de atuação dos DMOs e ITOs.

A pesquisa identifica que o turismo internacional continua em rota ascendente e com desempenho superior às expectativas. Em 2017, o número de chegadas internacionais cresceu 6,7% e de receitas internacionais teve alta 4,8%. As perspectivas para os próximos anos também são promissoras, inclusive no Brasil. O crescimento esperado das chegadas internacionais no país até 2022 é de 23%, segundo previsões do Instituto Euromonitor.

De acordo com o assessor de Gestão Estratégica da Embratur e coordenador do projeto “Laboratório de Inovação” VisitBrasil, Rafael Felismino, essa previsão se baseia no fato de que a promoção do turismo brasileiro do exterior permaneça da mesma forma que é feita atualmente. “Com as mudanças na gestão, modernização da Embratur e novas ferramentas e iniciativas, estaremos investindo no descolamento da tendência de crescimento e, assim, alcançaremos resultados mais expressivos”, analisa.

O pesquisador da FGV André Coelho afirma que o turismo seguirá crescendo no mundo e destaca que o setor no Brasil acompanha o ritmo de crescimento mundial.  “O turismo não vai parar de crescer. A tendência é que o setor cresça tanto no número de viagens internacionais quanto na geração de empregos”, explica. Para ele, o estudo pode ser útil para definição de ações estratégicas para o melhor aproveitamento do potencial que o Brasil tem no setor de turismo em diversos segmentos. “O país não se destaca apenas no segmento Sol e Praia. Também tem grandes ativos nos nichos de Cultura e Turismo de Natureza, muitos procurados por turistas estrangeiros”, completa.

A expectativa é que o resultado completo deste trabalho seja apresentado durante a ABAV Expo 2018, prevista para o mês de setembro, em São Paulo. Participaram também da apresentação da primeira fase do estudo os pesquisadores da FGV, Marcelo Minutti e Cintia Melchiori, o chefe de gabinete da Embratur, Hercy Ayres Filho, e o diretor de Marketing, Walter Vasconcelos, além de técnicos e coordenadores do Instituto.

 

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