Embratur

Turismo já ajudou países a superar crises e pode fazer o mesmo no Brasil

por — publicado 20/02/2017 00h00,
última modificação 20/02/2017 16h36

Artigo do presidente Vinicius Lummertz publicado no portal de notícias Poder360

Vencendo o desemprego

Está nas mãos do presidente Michel Temer uma tomada de decisão que pode representar a abertura decisiva para que o governo exerça firmemente o papel de indutor da alavancagem do fluxo de turistas estrangeiros em direção ao nosso país. Estamos falando da transformação da Embratur, atualmente uma autarquia vinculada ao ministério do Turismo responsável pela promoção do turismo brasileiro no exterior, em serviço social autônomo, o que traria mais flexibilidade de ações e proporcionaria a busca de recursos de outras fontes além do orçamento da União.

A proposta da transformação da Embratur foi apresentada pelo ministro Marx Beltrão (Turismo) ao governo, junto com outras medidas que poderão levar a uma modernização acelerada do turismo e, consequentemente, do Estado brasileiro. Ela está no texto de uma sugestão de medida provisória que, basicamente, garante o acesso a recursos da contribuição social da Lei 8029/90, como já ocorre com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). As duas entidades, por estarem abrigadas nessa modelagem, não estão sujeitas a cortes de repasses pela União, ou contingenciamentos. Vale lembrar que hoje tanto Sebrae quanto Apex são exemplos de sucesso e para nós também seria importante seguir esse caminho.

Nesta semana as entidades privadas e sindicais que integram o CNT (Conselho Nacional de Turismo), enviaram correspondência ao presidente Michel Temer dando aval às mudanças apresentadas pelo ministério, em especial a derrubada da exigência do visto de entrada para turistas de Estados Unidos, Austrália, Japão e Canadá, bem como a mudança do modelo de gestão da Embratur.

Lembrando que o Brasil construiu um grande legado de imagem no mundo inteiro por conta do êxito na organização de grandes eventos desde 2007 (Jogos Pan-americanos, Rio + 20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Copa do Mundo de Futebol, Olimpíadas e Paralimpíadas Rio 2016), os integrantes do CNT lembram que o atual momento é crucial para se colher esses resultados.

As 19 entidades mais representativas do chamado “trade” turístico nacional pedem ao governo que apoie a mudança, considerando que só desta forma o Brasil terá uma promoção internacional robusta. Acreditamos que somente com um turismo e uma promoção turística forte chegaremos a resultados que possam gerar emprego, distribuindo melhor a renda e trazendo mais divisas para reequilibar nossa balança comercial.

O turismo sustenta milhões de micro e pequenas empresas de 52 setores da economia, gerando mais de 7,5 milhões de empregos no país. Hoje o turismo representa cerca de 9% do nosso PIB (Produto Interno Bruto). É também, como acontece em todo o mundo, o segmento da economia que responde mais rapidamente quando se fala em retorno de investimentos. Tivemos diversos casos recentes de recuperação econômica de países bastante afetados por crises a partir de uma retomada do crescimento do turismo. A Espanha, por exemplo, anunciou o número recorde de visitantes em 2016. Os mais de 75 milhões de turistas estrangeiros deixaram mais de 77 bilhões de euros nos cofres espanhóis, espantando de vez a crise que rondava o país.

Pode acontecer o mesmo no Brasil, mas para que essas mudanças alcancem um efeito realmente relevante, é preciso de tenhamos as ferramentas adequadas em mãos. Em 2016 batemos o recorde de visitantes estrangeiros, 6,6 milhões. Eles injetaram R$ 6,2 bilhões na economia. É pouco para um país que foi considerado pelo Fórum Economico Mundial como o que tem maior potencial em recursos naturais. E que foi classificado ainda como o 8º com melhor potencial turístico na área de patrimônio histórico.

Estamos no meio de uma verdadeira corrida no mundo do turismo internacional. Os países estão investindo cada vez mais em promoção. Nossos “concorrentes’ mais próximos investem muito mais. O México, por exemplo, investiu no ano passado cerca de U$ 400 milhões; a Colômbia mais de U$ 100 milhões; a Argentina cerca de U$ 80 milhões. E nós, com cortes, contingenciamentos, não passamos de U$ 17 milhões.

Todos os países que estão na ponta dessa corrida contam com recursos de outras fontes para fazer promoção internacional. São fundos criados a partir de recursos gerados pelos cassinos (Portugal), de taxação do bilhete aéreo (Argentina). Não estamos propondo nenhuma nova taxa, os cassinos ainda não estão legalizados no país (esperamos que esta situação seja revista). Apenas queremos flexibilidade para fazer parcerias com a iniciativa privada e garantir recursos para investir e trazer muito mais dólares e empregos. É assim que venceremos a luta contra o desemprego.

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