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Turismo: potencial de um novo pré-sal

por — publicado 08/11/2015 00h00,
última modificação 02/12/2015 12h11

O Brasil precisa, com urgência, enxergar o grande potencial que o setor de turismo e viagens oferece. Por meio dele podemos alimentar a economia interna, criar condições de perenidade do setor e melhorar a imagem do nosso país.

Em 2014 aumentou em 4,4% o número de viagens internacionais no mundo, com o deslocamento de 1 bilhão de turistas e giro de US$ 1,2 trilhão. Mesmo em situações de crise, como a que vivemos agora, esse mercado segue em expansão.

Só no Brasil representa 9,2% do PIB direto e induzido. E poderia ser mais. Temos muitos desafios a enfrentar. Um dos principais é a burocracia, que emperra investimentos, além da falta de ousadia.

A mudança que visualizo para o Brasil é semelhante à que ocorreu nos EUA, ainda nesta década, com a criação do Brand USA, quando começaram a tratar o turismo como uma marca global. Os pilares desse novo momento são a criação de posicionamento de marketing inovador, geração de valor a partir do turismo, além da construção e manutenção da confiança no país.

Podemos usar como referência também a China, que tem 3 dos 10 destinos mais visitados no mundo. A burocracia com visto é menor, a quantidade de voos é maior, os acessos a naturezas e cidades históricas são fáceis e os investimentos em promoção, mais amplos.

Nesse sentido, estamos ampliando parcerias com o setor privado, que tem um papel importante na nova realidade e poderá até mesmo assumir funções para as quais hoje faltam recursos públicos. Um exemplo são os aeroportos brasileiros, que melhoraram significativamente nos rankings de avaliação após as parcerias público-privadas.

Desde a abertura dos portos por dom João 6º, em 1808, não se viu tamanha possibilidade de abertura e integração do Brasil ao mundo.

O caminho é esse. Por isso, a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) e o Ministério do Turismo defendem a isenção de vistos para os norte-americanos após a Olimpíada de 2016. Somente no ano passado mais de 656 mil pessoas saíram dos EUA para visitar o Brasil.

Com a dispensa, atraímos o turista de alta renda, que não aceita a burocracia imposta por países que mantêm a exigência do visto. Um projeto de isenção de vistos foi aprovado pelo Senado e segue agora para sanção presidencial.

Além de EUA, Canadá e Austrália, a China demonstrou interesse –de lá partem 100 milhões de pessoas para viagens ao exterior anualmente. Em 2014, no entanto, apenas 70 mil chineses vieram ao Brasil.

Há espaço para trabalhos mais ambiciosos e isso passa obrigatoriamente pela integração da cadeia produtiva do turismo, que tem crescido em ritmo dobrado ao da economia nacional e movimenta 53 segmentos.

Depois de o turismo ter herdado o legado e os ativos da realização dos grandes eventos mundiais, com os Jogos Pan-Americanos, a visita do papa Francisco, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, agora estamos, com criatividade e esforço, suplantando as restrições orçamentárias e buscando atrair turistas e investimentos ao Brasil.

É preciso defender o empreendedorismo, a autonomia e a geração de recursos oriundos do setor, que pode ter, para a economia brasileira, uma função até mais ampla e concreta do que o pré-sal –e deste papel a Embratur não irá se furtar.


VÍNICIUS LUMMERTZ, 55, é presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo)

Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo do dia 08/11/2015




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