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Brazilian Dream

por — publicado 01/12/2015 00h00,
última modificação 01/12/2015 19h09

Foto por: Divulgação

Presidente Lummertz

Presidente Lummertz

Um dos fatores que contribuiu para o enriquecimento cultural, social e econômico do Brasil no século 20 foi o grande fluxo de imigrantes, vindo dos mais diferentes cantos do mundo. Os sonhos das pessoas de construir uma nova vida em um novo país ajudaram a moldar a sociedade que temos atualmente. Podemos dizer que houve efetivamente um brazilian dream. O português, o espanhol, o árabe, o italiano, o judeu, o alemão, o japonês, o francês, o holandês e o inglês ajudaram a construir as bases desse país. Sem contar, obviamente, com a influência dos indígenas e dos afro-descendentes.

Essa miscigenação de povos e culturas fez com que o Brasil se transformasse em um grande sucesso étnico. Nosso passado, importante para o País que somos hoje, não deve ser visto apenas com saudosismo e sim como instrumento para construir um Brasil ainda mais moderno, mais aberto ao mundo. O destaque que temos hoje no cenário geopolítico mundial pode e deve ser ampliado. Numa economia mais aberta, poderemos contar com a experiência e conhecimentos dos imigrantes. Um exemplo disso é a única competição entre árabes e judeus que ocorre em São Paulo, onde se disputa qual seria o melhor hospital do Brasil.

Na área do turismo, sediamos nos últimos anos eventos importantes que trouxeram ao Brasil milhões de visitantes. Foi o caso da conferência Rio+20, da Jornada Mundial da Juventude, da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Esse ciclo se fecha em 2016 com a realização da Olímpiada e Paralimpíada no Rio de Janeiro. O sucesso desses eventos, tanto do ponto de vista interno (com nova infraestrutura e qualificação da mão-de-obra) quanto externo, identificado nos elogios feitos pelos estrangeiros, é uma oportunidade para avançarmos no caminho de um Brasil mais aberto.

Vários países têm políticas para facilitar a entrada de estrangeiros, seja com regras simples para a concessão de vistos ou até mesmo com a eliminação dessa exigência, sem deixar de lado a preocupação com a segurança e a oferta de serviços de qualidade. A aprovação, por parte do Congresso Nacional, da isenção temporária do visto para o ano Olímpico de 2016, facilitará a entrada de atletas, de suas famílias e demais visitantes. Defendemos que essa medida seja transformada em definitiva depois dos Jogos, beneficiando não só os Estados Unidos, mas também outros países com os quais temos boas relações.

Em que pese o grande potencial turístico mundial, o Brasil ainda é relativamente fechado. De acordo com o Fórum Econômico Mundial (WEF), nós somos o primeiro país em potenciais naturais, mas somos o 102º país mais fechado do mundo, sendo um dos itens deste cenario a exigência de vistos. Investimos muito nos grandes eventos e os resultados foram positivos. Mas ainda temos um número proporcionalmente pequeno de turistas estrangeiros. Pela primeira vez, superou 6,4 milhões visitantes no ano passado, volume 80% maior do que o registrado em 2003.

Precisamos avançar e nos abrir mais. E precisamos nos abrir para investimentos também. Hoje vemos, por exemplo, que nossos aeroportos melhoraram porque receberam uma combinação de capital e expertise externa. O Brasil ganhou 30 posições na competitividade global porque fez a Copa, mais especificamente porque fez obras em seus aeroportos e estádios.

Ao longo dos anos, a cultura brasileira incorporou características dos quatro cantos do mundo: o idioma português, a culinária italiana, as técnicas agrícolas alemãs, as batidas musicais africanas e muito mais. Graças a todos eles, temos um país de múltiplas cores e sabores. Ao ciclo de grande exposição internacional do Brasil que se encerra no próximo ano, deverá corresponder uma política de abertura para ampliarmos essas ligações com o resto do mundo. O Brasil é uma potência ambiental e humana formidável, mas precisa se abrir para renovar os atributos e experiências cultivados no último século, ampliando, assim, o dinamismo da sociedade brasileira. A conectividade e as oportunidades do turismo elevam o potencial destas contribuições.

Vinícius Lummertz, presidente da Embratur 

Artigo publicado originalmente no jornal The Huffington Post. Veja aqui: http://huff.to/1Nm1Ikr

 

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